Entre a crise da Covid e a esperança da PNAB

Artista ainda sofre com efeitos da pandemia

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Arquivo :Foco Cultural

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A pandemia da Covid-19 arrasou a economia do mundo inteiro. Atingiu com força a classe artística. No Brasil não foi diferente. Prova disso é o compositor Ricardo Sena.

Gaúcho de origem, Ricardo nasceu em Bagé, na fronteira com o Uruguai. Também assina como Ayruã Tembé, nome indígena que reafirma sua ascendência e identidade cultural. Poeta, letrista e compositor, sempre manteve relação direta com a música popular brasileira. Ainda assim, desde o início da pandemia passou a enfrentar uma crise econômica profunda. A paralisação de shows, eventos e projetos culturais eliminou fontes de renda. As oportunidades desapareceram. As dificuldades se acumularam.

Mesmo sendo autor do forró “Sogra”, em parceria com Roberio Pacheco, não conseguiu manter um padrão de vida estável. A realidade do mercado digital agravou o quadro. As plataformas ampliam o alcance das músicas. Mas geram retorno financeiro muito baixo para a maioria dos artistas. A visibilidade não se converte em sustento. O resultado foi extremo. Ricardo Sena acabou se tornando morador de rua.

Ainda assim, a trajetória não foi interrompida. Em busca de aprendizado e reinvenção, decidiu deixar o Rio Grande do Sul e se mudar para a Bahia. A escolha teve um propósito claro. Mergulhar na cultura do forró. Viver o ritmo no território. Ouvir. Conviver. Aprender. A ida para o Vale do Jiquiriçá, na cidade de Amargosa, foi um gesto consciente. Uma tentativa de enriquecer o próprio processo de composição no gênero.

Mesmo em situação de vulnerabilidade, manteve a criação ativa. Seguiu compondo. Estabeleceu parcerias locais. Passou a escrever forrós a partir da vivência cotidiana. A arte permaneceu como ponto de apoio. Como resistência. Como possibilidade de reconstrução.

Nesse contexto, o edital da PNAB surge como oportunidade concreta. Um instrumento real de resgate. Para Ricardo Sena, o prêmio pode significar recomeço. “O prêmio pode me resgatar e renovar minhas esperanças”, afirma. Sem desmerecer os demais candidatos, ele acredita reunir as condições exigidas. Trajetória. Produção autoral. Vivência cultural consistente. O valor de 25 mil reais representa mais do que um apoio financeiro. Representa a chance de se reerguer.

A Política Nacional Aldir Blanc foi criada para enfrentar um dos períodos mais duros da cultura brasileira. Surgiu como resposta direta aos impactos da pandemia. Reconhece a cultura como trabalho. Como sustento. Como direito. A PNAB busca garantir continuidade a trajetórias interrompidas e oferecer condições mínimas para que artistas possam seguir criando após perdas profundas.

Na Bahia, a PNAB está com editais abertos voltados ao reconhecimento de trajetórias culturais em diversas linguagens. Os chamamentos incluem modalidades de premiação. Não exigem contrapartida nem prestação de contas.

O novo ciclo reúne investimentos superiores a R$ 70 milhões. Os recursos somam editais inéditos e a renovação dos Termos de Execução Cultural do ciclo 1. Ao todo, esta etapa deve beneficiar até 1.090 projetos em todo o estado. Outros seis editais, ligados à Lei Cultura Viva, serão lançados no primeiro semestre de 2026.

Os editais estão organizados em seis eixos de atuação cultural. Fomento às artes. Identidades e saberes. Formação. Patrimônio e museus. Economia criativa e espaços culturais. Livro, literatura e memória. Entre os destaques está a Premiação Artística ao Forró da Bahia, que destinará R$ 700 mil a agentes culturais do ritmo. Um reconhecimento direto à importância histórica e social do forró no estado.